Seja otimista!

Como ser feliz mantendo o olhar frio e o sorriso escondido? Como ser feliz, e se revoltar e se queixar? É como sair às compras sem dinheiro ou ir pescar sem anzol. Reconheça ser preciso jogar para longe o que for tristeza, desamor, e o espírito de levar vantagem, e colocar no lugar deles o prazer de viver em paz. Para se ter a felicidade é importante deseja-la por inteiro, robusta e quente, sob forte esperança no amanhã, porque, se deseja-la fraca, ela por si mesma se inutiliza desde o principio. A mente não é feita somente para atrair dinheiro ou bens materiais. A mente também faz isso. Mas sua maior finalidade é a criação dos valores morais e da paz, de tal modo que chegam a se refletir na face e atrai simpatias e benefícios. Se você tem hábitos enraizados, se você tem comportamentos de longa data, pensamentos que se repetem e se sente insatisfeito(a)...disponha-se a mudar. Não fique repetindo o passado, parado no tempo, inerte. Faça alguma coisa, construa um mundo novo, limpo e arejado. Você tem capacidade para isso. Acredite em um futuro brilhante. Você pode ser feliz tanto quanto, ou o quanto mais quiser ser feliz. Faça um autoexame do que você é, do que você pensa, em como vem se tratando e em como trata as pessoas e o planeta. Medite sobre a sua realidade, sobre o que tem feito com seu tempo e de como tem se relacionado si mesmo(a) e com os outros. E a partir disto, vislumbre e desenhe um novo futuro. Se você der o máximo de si na edificação de um futuro melhor, com esperança, fé em si mesmo e fé em um Poder Superior já terá começado a mudar seu quadro atual e a começar a se sobrepor como criatura bem sucedida. Confia em seu deus interior. Jesus disse: “Vós sois deuses, e como deuses podem fazer o que eu faço e muito mais se tiverem, fé!” A melhor confiança, a melhor defesa é a fé em seu deus interior. Aceite as quedas e perdas da vida. Cair e perder faz parte de nossa caminhada. Mas quando cair ou perder levante-se e caminhe ainda que sentindo dores. Não existem méritos em ficar deitado para evitar-se cair. Mas levantar-se todas as vezes que se cai. Somente assim aprenderemos algo. Acredite também em seu pais. Grandes homens e mulheres sempre acreditaram em suas nações. Diante disto quando partiram para a pátria espiritual, deixaram com seus feitos e ideias o planeta um pouco melhor. Não se aceite atolado em falhas ou em “pecados". Deus que é fonte de tudo e de todos não enxerga nossos erros, mas a força que fazemos para conserta-los. Diante disto, acredite em Deus. Muitas doutrinas religiosas afirmam que o Pai Celestial, é o Deus do impossível. Diante disto quando cair ou desiludir-se com as pessoas, segure nas mãos Dele. Pois se Deus realiza coisas impossíveis, com certeza ele é capaz de fazer o impossível acontecer em sua vida. Acenda o fogo do otimismo. Explore o seu poder de luta e terá um grande futuro. Lembre-se: O fogo de um palito ou um incêndio em uma floresta começa sempre com uma pequena faísca.

Manoel João

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

AMADURECER

Boa noite amigos...
O que vem a ser amadurecer? 
Penso eu, que amadurecer significa separar de forma mais nítida, e também ligar de forma mais íntima, tudo o que é óbvio, daquilo tudo que nos faz um bem maior. A capacidade que a gente tem de olhar no olho, de agradecer, de dialogar, de criticar com sensibilidade, e de não criticar mas exercer a compaixão e a empatia. De ter coragem, mas também ter uma dose de medo na porção certa. Amadurecer, é não calcular e nem muito menos contar. Amadurecer, é ser como uma árvore que não apressa a seiva e permanece confiante durante a tempestade da primavera, sem ter o medo de que o verão não possa vir depois. Mas ele, o verão...vem apesar de tudo. A gente não amadurece por causa de comemorar um aniversário. A gente amadurece ao chorar uma noite inteira e acordar sorrindo e de alma leve como pluma solta ao sabor da brisa matinal. Mas também amadurecemos, quando durante a noite, a tempestade é forte e aterradora, e ainda assim, temos sorriso nos lábios e coragem na alma, sabendo que o amanhecer sempre vem ao sabor do novo dia ensolarado! Começamos a amadurecer quando rimos de algo que nos fez chorar. O tempo ensina, o tempo cansa, o tempo amadurece as idéias, sentimentos, ameniza dores, esfria e aquece emoções, cria expectativas, e as vezes estressa... mas é fato: O tempo não espera, ele passa, exatamente como diz a música: O tempo não para!. Não vamos ficar esperando pelos outros, procuremos sincronizar o que nos faz bem com as pessoas e com tudo que está no nosso tempo. O tempo já traz consigo todas as perdas que acumulamos ao longo da vida. Sendo assim, não percamos mais tempo em não viver. Quando nascemos, já começamos a morrer milimetricamente um pouco de cada vez. Que a gente saiba valorizar cada momento, porque todo mundo já está automaticamente em extinção. Chegou a hora de crescer, amadurecer e se dar conta de que a vida não espera por nós. A vida tem um ritmo, e eu, você, nós, não podemos ficar sentados com a boca escancarada e cheia de dentes e vê-la passar, mas, podemos sorrir pra ela e deixar-se levar em uma linda e maravilhosa dança, no ritmo da melodia da vida. E que melodia linda é esta música! Meus amigos e amigas...vivamos cada segundo como se fosse o último. Até porque, não sabemos em que momento a campainha de chamada para a grande viagem vai soar. Não vamos parar por causa dos momentos difíceis. Carlos Drummond De Andrade já dizia: Dor é inevitável...sofrimento é opcional. E estas duas alavancas vão nos ajudar a entender, e cumprir nossa missão, que é a de ser feliz...e fazer feliz. Chegou a hora de pensarmos um pouco mais nos outros, de sonhar, perdoar, e deixar nosso ego para trás. A vida tem um ritmo, mas ela não tem mapa. Podemos direcionar a vida a até certo ponto, mas jamais controla-la. Apenas sejamos pacientes e sigamos o ritmo do coração. Mas vivamos cada segundo! Só existe um de cada um de nós. Sendo assim, ninguém pode ser substituído. Cada um de nós, deixará sua marca na história da humanidade e na vida de alguém. Todos nós, somos únicos! Que a gente saiba cuidar muito bem disso. Que as marcas deixadas por nós, sejam marcas que valham a pena serem lembradas. Pode não parecer, mas mudar e amadurecer são duas coisas bastante diferentes.
Manoel João


domingo, 11 de setembro de 2016

O QUE É VIVER


Por Manoel João
Não basta existir, é preciso viver. E viver é muito mais que existir. Viver implica aprender e, para ser aprendiz, é preciso humildade para reconhecer a própria ignorância.
Viver implica educar-se para o amor, e, amando e amado, experimentar a angústia de saber-se iluminado sem sentir-se luz, vivenciando as dores e as venturas de sentir-se completo sem poder ser pleno. Viver implica movimento. E não há movimento sem esforço e atrito. A vida é dinâmica, jamais se estanca. Vibra serena e sem pressa, embora nunca pare para esperar quem ignore seu ritmo.
Para existir, basta estar. Para viver, é preciso ser, por inteiro. E para viver, ainda que existindo, é preciso ser estar e estar, num ser único. Viver implica acreditar-se imortal e eterno, mesmo sabendo que nada é permanente.
Viver implica progredir, ir adiante, avançar. Viver é existir de todas as formas e em todas as dimensões, amando cada uma delas.
Para viver, não basta ver, ouvir, pensar e falar, pois estas são manifestações da existência. Para viver, é preciso sentir, mergulhar em si mesmo e sair, novamente, para observar-se sem paixão.Viver implica iluminar-se e, sob a luz da própria consciência, apontar os próprios defeitos e limites. Viver implica assumir a responsabilidade pelos próprios atos, transformando-os todos em gestos de amor e compaixão.
Viver implica conhecer-se, profundamente, e, ciente de si, deixar de enganar-se, trabalhando para mudar aquilo que não está bem.
Viver implica reconhecer, no universo, o próprio lar; nas humanidades cósmicas, a própria família; na criação infinita, o próprio berço; e na natureza a própria saúde e o único sustento.
Não há vida sem troca, não há troca sem perdas, não há perdas sem ganhos, não há ganhos sem lutas, não há lutas sem dor, não dor sem razão; e não razão fora da vida. Viver é muito mais que existir, mas ninguém aprende a viver plenamente sem existir, muitas vezes, de muitas maneiras.
Viver é transcender o que se pensa saber da vida, para assimilar-lhe a verdadeira sabedoria. Viver implica arriscar-se. E o maior risco é errar. Mas viver também implica estar certo. E a maior certeza é a de que, a cada erro, mais se pode aprender.
Para existir basta ter sangue nas veias e ar nos pulmões. Para viver, no entanto, é preciso sangrar e sufocar-se de tanto amor. Na existência, há apenas meias verdades e grandes mentiras, enquanto a vida no conduz ao coração da única verdade absoluta.
Viver é manifestar-se sem tempo ou espaço; é ser fogo ardendo sempre, sem se queimar; é verbo que não se conjuga, apenas se pratica; é palavra que não se define, apenas se diz; é conceito que não se explica, apenas se vive.
Viver é estar no todo, sendo tudo, sem nunca esgotar-se. Quem vive, canta por dentro, a despeito do silêncio exterior. Quem vive, existe em todos os lugares, sem pertencer a nenhum. Quem vive, busca, em si mesmo, o que deseja para o seu caminho e, quando encontra, volta a buscar. Quem vive, não vê morte, apenas transformação; não morre, transmuta-se para a vida; não nasce, apenas passa pela morte para viver.
Viver é ir mais, mudar sempre, virar-se e revirar-se, buscar o próprio avesso, sem saber onde fica o direito. Viver é enxergar a luz, mesmo nas sombras, e criar luz nas próprias trevas.
Viver é expandir a própria existência para além dos limites imaginados. Viver é doar-se, sem pedir; é ceder, sem resistir; é entregar-se, sem recear.
Quem vive, renasce um novo ser todos os dias. Quem vive, tem a própria existência traçada a lápis e recria o próprio destino, minuto a minuto, com a borracha da sabedoria e do perdão. Quem vive, não sabe o caminho ou quando chegará, para sabe para onde está indo.Quem vive, continua na morte e recria-se ao nascer, sabendo que é preciso morrer para nascer e é preciso existir para morrer.
Viver é ter na própria consciência uma única história, representada por milhares de faces, nomes, episódios de milhares de existências.
Para viver, não basta existir, pois existir é pouco para um ser que nasceu para ser Deus.

domingo, 21 de agosto de 2016

SEGUE TEU DESTINO

Rega as tuas plantas,

Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias

(Fernando Pessoa)



por Manoel João

Parece fácil seguir o conselho de Fernando Pessoa, mas a prática indica que existem inúmeras dificuldades a serem vencidas antes que a gente consiga se decidir a seguir o nosso destino.

A primeira dificuldade surge em reconhecer o que nos pertence e o que pertence ao outro. Como saber se este caminho é meu e não do outro? Qual meu caminho? Pra onde devo ir?

A segunda dificuldade surge quando nos perguntamos (e sempre nos perguntaremos....cedo ou tarde): Por que tenho de seguir o meu caminho, deixando o outro seguir o dele?

E a terceira dificuldade é indicada pela afirmação ou negação da pergunta anterior:Não posso seguir o meu caminho sem ninguém! Preciso de alguém ao meu lado? Ou, posso seguir meu caminho com alguém...Ou, não preciso de ninguém comigo!

Podem existir outras dificuldades ( e elas existem...quer se acredite ou não), mas neste texto, vou me focar neste assunto, e nestes três tópicos escolhidos.

A primeira dificuldade esbarra na confluência.

Apenas para esclarecer, confluência é um estado de não contato, de fusão por ausência de contato. Trocando em miúdos, a confluência surge quando há fusão de interesses, gostos e atitudes com alguém próximo, ou muito próximo, que acaba resultando na incapacidade progressiva de tomar as próprias decisões. As pessoas tendem a agir como se fossem uma só.

Este modo de se comportar, nos remete às relação mãe/filho, que com o passar dos anos tende a modificar-se, tornando-se uma relação mais segura e consistente. Porém, isto não ocorre sempre e algumas pessoas chegam à idade adulta dependente do apoio do outro na tomada de decisões, e decisões as vezes, muito simples. Tipo,eu compro isso ou aquilo? Adquiro esta marca ou outra? E como não conhece outra forma de se comportar, passam boa parte da vida buscando alguém com quem possa viver em confluência, uma vez que não aprenderam a tomar as próprias decisões. Complicado não é?

A segunda dificuldade está relacionada com as relações de controle.

Como se viver a vida alheia fosse a meta da própria existência. Viver para o outro, em função do outro, controlar o outro, se apoderar do outro, não dando a este outro a chance de vivenciar suas próprias escolhas. É o extremo oposto da confluência. É a invasão do outro. É a implosão das barreiras de contato que existem para proteger a individualidade alheia. Este comportamento invasivo pode estar relacionado com o medo de deixar o outro seguir seu rumo e perdê-lo, numa curva do caminho. Geralmente estas atitudes controladoras estão relacionadas com a própria insegurança, afinal é preciso controlar o outro para garantir a própria felicidade. Complicado também não é?

A Terceira dificuldade se relaciona com o medo da solidão.

Mesmo quando não há necessidade de ser controlado ou controlar, para algumas pessoas, seguir o próprio caminho pode significar fazer escolhas diferentes dos demais, resultando em trilhar caminhos diferentes das pessoas queridas. Novos caminhos indicam a possibilidade de novos relacionamentos, de novos modos de pensar, de agir, novas amizades, novos amores. Parece um contrassenso, mas para algumas pessoas isto pode ser algo realmente doloroso, pavoroso, por que indica uma ruptura, uma quebra, um destroçar da zona de conforto. Vale lembrar que a tal da zona de conforto, não te causa mal algum. Mas também não te leva pra lugar nenhum! E continua complicado né?

Por isso, "seguir o teu destino" " fazer teu destino", não é algo fácil.Todas as escolhas são tortuosas e trarão perdas e ganhos. Mas, se não se lançar rumo a caminhada, não se terão perdas, e nem ganhos. Ou seja, não se tem nada, não se aprende nada, não se vive nada!

E, por mais dolorosa que seja a nossa caminhada, com perdas, mas também com ganhos, acreditem meus amigos...é preferível morrer por algo e para algo, do que viver por nada e para nada!


quarta-feira, 27 de julho de 2016

AO FALAR DOS OUTROS, REVELAMOS MUITO DO QUE EXISTE EM NÓS

Por Manoel João


Existe uma frase atribuída a Sigmund Freud, o criador e pai da psicanálise, que traz os seguintes dizeres: "Quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo". Se a sentença foi realmente proferida por Freud, não sei. Entretanto, o significado da frase faz muito sentido, e é muito precisa, já que cada um revela um pouco de si mesmo a partir do que identifica no outro, pois projetamos nos outros aquilo que está em nós mesmos, pois na concepção da psicanálise, cada indivíduo tem uma visão única de mundo, formada ao longo da vida em função de sua educação e suas experiências individuais e coletivas, que influenciam o modo de perceber as pessoas. São essas imagens, ideias e conceitos que projetamos nas pessoas quando pensamos nelas ou falamos sobre elas. E bastam apenas poucos segundos para formarmos uma opinião sobre alguém, e muitas vezes, basta apenas um simples "oi" ou um " bom dia" para formarmos uma opinião!

A maneira como julgamos alguém ou o que falamos a respeito dele estão intimamente relacionados com o nosso jeito de ser. Se sou otimista, vou destacar aspectos mais positivos daquela pessoa.

Claro, além da influência da biografia de cada um naquilo que mais salta aos olhos quando analisamos o outro, existe, também, o peso do momento, ou seja, as circunstâncias que estamos vivendo também condicionam o nosso pensamento, ou seja, muitas vezes aquilo que tanto incomoda no outro pode ter relação com uma característica que também possuímos, mas não aprovamos e nem sempre enxergamos. Se isso, ou aquilo não tivesse nada a ver com as nossas dificuldades, não nos incomodaria, e sendo assim, provavelmente nem perceberíamos. A forma como encaramos a atitude e o comportamento dos outros tem ligação com o que pensamos acerca de nós mesmos. Quando o outro está nos afetando de maneira bastante significativa, ou seja, pode ser que ele esteja interferindo na ideia central que tenho de mim mesmo!

Uma pessoa também é capaz de nos perturbar quando nos provoca de algum modo. Por exemplo: Às vezes, o outro me incomoda porque é melhor do que eu. E eu não quero melhorar, porque eu estou acomodado!

Mas, apesar de o outro servir com frequência de espelho, refletindo quem somos e o que pensamos do mundo, nem tudo que vemos é a nossa própria imagem. Aspectos que repudiamos também aparecem e causam revolta. O outro também pode me incomodar porque vai contra uma série de valores que temos estima e consideramos corretos. Por isso, devemos estar atentos ao que falamos e pensamos dos outros. Cabe sempre a reflexão do porquê aquela pessoa nos incomoda, em que ela nos atrai ou repele, o que admiramos nela ou invejamos. A visão que temos de alguém, é sempre limitada. Por essa razão,nenhum julgamento deve, ou deveria ser definitivo, afinal, temos um compromisso com o que estamos vendo, mas também com a limitação do que estamos vendo.

O recalque é muito mais do que uma palavra da moda para alfinetar. Trata-se de um termo que reúne conceitos amplos, e vai além da inveja. O recalcado é alguém que precisou, em algum momento da vida, abafar certos desejos e emoções. E, a partir de então, tenta eliminar do inconsciente vontades que, muitas vezes, são consideradas inaceitáveis para ele. Assim, quando a pessoa recalcada se depara com alguém liberando um desejo que ela considera difícil de realizar, a maneira de lidar com isso é censurando, criticando e reprimindo o outro. São homens e mulheres frustrados, com dificuldade de entrar em contato com os próprios sentimentos, e que encontram no próximo uma maneira de extravasar isso. E o resultado é alfinetada atras de alfinetada e o famoso beijinho no ombro!

Pessoas que acham que todo mundo morre de inveja delas, apesar de acharem que todo mundo está de olho em seu sucesso, na verdade, são pessoas recalcadas que se incomodam demais com os outros. A grande maioria das pessoas acha que a inveja é um sentimento ruim. Então, é mais fácil ver alguém projetar a inveja que sente nos outros, já que se trata de um sentimento difícil de admitir até para si mesmo, do que aceitar o que sente. E como todo recalcado quer que o percebam, uma maneira de chamar a atenção é dizer como os demais o consideram especial, digno de destaque, já que é alvo de inveja, ou como ele se imagina, alvo de invejosos! Ou seja, sentir dificuldade em aceitar características que o outro tem e gostaria de se ter, é a base do recalque. O desejo do indivíduo é suprido por outra pessoa, o que incomoda, e muito. A dificuldade em admitir o brilho, a beleza, a inteligência ou quaisquer outras qualidades do outro está ligada à baixa autoestima e a sentimentos de menos valia, e também a um alto grau de competitividade. O resultado vem na forma de atitudes mesquinhas e controladoras, já que o recalcado não consegue ser generoso consigo,e nem com os outros.

A impressão que se tem, ainda mais em tempos de redes sociais, com a proliferação de discursos de ódio, é que as pessoas falam mais mal, do que bem dos outros. Parece uma questão de sobrevivência, se lembrar mais do que faz mal, do que nos faz bem!

Ocupar-se da vida alheia e praticar a maledicência é uma forma de se inserir em um grupo. Mas isso acontece de maneira mais exacerbada, com aqueles que levam uma vida vazia, sem sentido, pois quanto mais frágeis nos sentimos, mais precisamos nos defender. E falar mal dos outros é uma forma de defesa. Ou seja, quando não percebemos nada de interessante na nossa própria vida, passamos a cuidar da vida dos outros.

E essa atitude, de meter o pau nos outros, falar da vida alheia às vezes funciona como estratégia para lidar com as nossas próprias dificuldades, pois falar mal dos outros pode ser uma forma de compensar os nossos próprios complexos.


sábado, 28 de maio de 2016

QUANDO O ESPIRITUAL DOMINA

Por Manoel João

"A espiritualidade pode ser definida como uma "propensão humana a buscar significado para a vida por meio de conceitos que transcendem o tangível, à procura de um sentido de conexão com algo maior que si próprio". A espiritualidade pode ou não estar ligada a uma vivência religiosa. Denominamos espiritualidade tudo que se refere à natureza subjetiva do ser humano. Seu aspecto psíquico, não material, transcendente às concepções físico-energéticas, distanciado do causalismo fisiológico" !


Uma das palavras mais usadas nestes últimos tempos é a busca de uma maior espiritualidade, porque faz muita falta para o equilíbrio de nossa vida. Em termos psicológicos, quando se fala muito de uma coisa é porque não a possuímos e, portanto somos carentes do que falamos. Não sei se vocês vão concordar ou não com tal afirmação. Mas, o que posso dizer e afirmar, é que a espiritualidade e consequentemente a espiritualização, não é uma teoria que preenche o coração de ninguém. Espiritualidade e espiritualização individual, para que se torne algo pessoal e amado deve sair do papel e do campo das ideias e se fazer vida, ou seja, tornar-se uma prática. Somente quem vive olhando para o alto, não se deixando escravizar pelas coisas da terra, e pode lentamente tornar-se uma pessoa espiritual. Devemos evitar o espiritualismo que nos impede de compreender que a ação é o caminho certo de toda forma de espiritualidade. A busca da espiritualidade deve nos ajudar a ser cada vez mais livres e senhores dos nossos instintos.
Se visitar uma livraria, você fica espantado em ver tantos livros que são denominados de espiritual e espiritualidade, mas que na verdade não passam de pequenas e às vezes insignificantes orientações emocionais e psicológicas que não atingem o verdadeiro sentido da vida. Eu tenho todo e maior respeito para com todos estes autores que fazem um bem imenso aos que leem, mas, na grande maioria destes livros, ainda assim, falta um sentido maior, porque, penso eu, que não pode existir uma autêntica espiritualização, sem uma referência explícita a determinados valores fundamentais como a defesa da vida, da paz, dos direitos humanos, da ética, da moral!
Dai, alguém pode objetar dizendo: Ta Manoel, mas a moral rejeita muitas coisas, e o que existe por aí, são diversas imoralidades que em tese, são aceitas como perfeitamente normais e moralmente corretas!
No que eu respondo que não é intenção minha causar polemicas desnecessárias, mas que justamente por isso, por conta de valores distorcidos pelo nosso orgulho, pelo nosso egoismo, pelo nosso ego doentio, pela nossa cegueira mental, é que por vezes, o imoral é aceito como moralmente correto, o preconceito é aceito como norma, e o correto em muitos casos é aceito como errado!
A busca da espiritualidade não pode prejudicar a ninguém, mas deve nos ajudar a ser cada vez mais livres da matéria e senhores do nossos instintos, e consequentemente senhores de nós mesmos!. A verdadeira espiritualidade é fruto de uma luta corajosa, forte e acirrada, onde ficamos feridos, arranhados e sangrando, mas não desistimos jamais de lutar. Um dos textos que mais me ajudam como aprender a verdadeira e autêntica espiritualidade é a carta de Paulo aos Gálatas. Este pequeno trecho, me recorda a beleza da vocação individual, do chamado individual de cada um, de sua busca rumo ao caminho espiritual que devemos percorrer e que devemos sempre ter presente na vida: "Fostes chamados para a liberdade. Somente quem busca a autêntica liberdade se aventura no caminho espiritual."
Quando me refiro a vocação, não me refiro a vocação de ser padre ou freira, ou pastor ou o que quer que seja no sentido de ministério dentro de um templo. Mas quando digo vocação, é no sentido de buscas internas, é o conhece-te a tí mesmo! É buscar qual sua vocação profissional, sua vocação pessoal, seus caminhos de libertação de sí mesmo e consequentemente felicidade em suas esferas de vida! Assim repito: “Fostes chamados para a liberdade. Somente quem busca a autêntica liberdade se aventura no caminho espiritual."
Liberdade não é o que se entende como normalmente se diz no dia a dia. Muito se diz, que ser livre é quem faz o que quer e como bem entende. Há muitos autores que dizem: "Tenho o direito de ser feliz e de buscar a minha felicidade e realização, portanto até que não encontre vou buscando, não importa se isto me faz romper os laços da família, do amor, dos compromissos do matrimônio ou do relacionamento familiar, o que vale é a minha felicidade.” Novamente, eu respeito cada autor de autoajuda, Mas discordo de tal afirmação, pois na verdade nunca seremos felizes se nos deixarmos dominar pelo egoísmo que está em nós.
A liberdade é um sonho duro a ser conquistado e que vai exigindo muito de nós. Esta liberdade nos leva à verdadeira espiritualidade do amor. Quanto mais reflito sobre o amor, eu percebo que menos sei dele, e, no entanto me parece que com os anos que vão chegando, ainda assim eu o compreendo mais. Talvez, porque a memória dos fracassos que tive, fracassos esses por conta de ações ou omissões minhas, me faz ver em outra perspectiva o mesmo amor que devo conquistar. Perceber a necessidade do amor para viver uma dimensão de vida que não pode ser espiritualização superficial, mas sim espiritualidade e espiritualização autêntica e vital.
O caminho da verdadeira espiritualidade é um processo de libertação interior onde tudo está debaixo do poder da nossa liberdade. Liberdade essa, que após o entendimento de nós mesmos, mostrará a nós mesmos, que nada mais poderá nos impedir de sermos livres no nosso agir. E seremos livres e libertos, justamente porque saberemos agir! Na espiritualidade então percebemos que é necessário superar as ideologias mágicas que não realizam nada em nós, ideologias estas, que na grande maior parte, são feitas somente pelo intuito de receber de graça e nada mais fazermos. São espiritualidades vazias e sem fundamento. É preciso que o que consideramos Eterno, Divino, Superior, o Deus de nossos corações, encontre em nós uma resposta e se faça carne. Deus nos dá um espaço de tempo na carne, para viver a nossa espiritualidade e é neste espaço de vida que somos chamados a realizar o seu projeto de amor divino. Somos co criadores com Deus. E se não acordarmos o verdadeiro divino e buscarmos a nossa verdadeira vocação, não vai ter caminho nenhum que vai nos levar à iluminação. É aqui e agora que a nossa vida deve se realizar. Na conquista, no dia a dia duro e difícil do nosso carregar a cruz, e na luta sem trégua contra o mal que está dentro e fora de nós.

terça-feira, 15 de março de 2016

O MAIS IMPORTANTE.

( Autor desconhecido ) 

Um dia, durante uma conversa entre advogados, me fizeram uma pergunta: O que de mais importante você já fez na sua vida ?
A resposta me veio a mente na hora, mas não foi a que respondi pois as circunstâncias não eram apropriadas. No papel de advogado da indústria do espetáculo, sabia que os assistentes queriam escutar anedotas sobre meu trabalho com as celebridades.
Mas aqui vai a verdadeira, que surgiu das profundezas das minhas recordações: O mais importante que já fiz na minha vida ocorreu em 08 de outubro de 1990. Comecei o dia jogando golfe com um ex-colega e amigo meu que há muito não o via. Entre uma jogada e outra, conversávamos a respeito do que acontecia na vida de cada um. Ele me contava que sua esposa e ele acabavam de ter um bebê. Enquanto jogávamos chegou o pai do meu amigo que, consternado, lhe disse que seu bebê parara de respirar e que fora levado para o hospital com urgência. No mesmo instante, meu amigo subiu no carro de seu pai e se foi.
Por um momento fiquei onde estava, sem pensar nem mover-me, mas logo tratei de pensar no que deveria fazer: Seguir meu amigo ao hospital ? Minha presença, disse a mim mesmo, não serviria de nada pois a criança certamente estaria sob cuidados de médicos, enfermeiras, e nada havia que eu pudesse fazer para mudar a situação. Oferecer meu apoio moral? Talvez, mas tanto ele quanto sua esposa vinham de famílias numerosas e sem dúvida estariam rodeados de amigos e familiares que lhes ofereceriam apoio e conforto necessários, acontecesse o que acontecesse. A única coisa que eu faria indo até lá, era atrapalhar. Decidi que mais tarde iria ver o meu amigo.
Quando dei a partida no meu carro, percebi que o meu amigo havia deixado o seu carro, aberto e com as chaves na ignição, estacionado junto às quadras de tênis. Decidi, então, fechar o carro e ir até o hospital entregar-lhe as chaves. Como imaginei, a sala de espera estava repleta de familiares que os consolavam. Entrei sem fazer ruído e fiquei junto a porta pensando o que deveria fazer. Não demorou muito e surgiu um médico que se aproximou do casal e, em voz baixa, comunicou o falecimento do bebê.
Durante os instantes que ficaram abraçados, a mim pareceu uma eternidade. Choravam enquanto todos os demais ficaram ao redor daquele silêncio de dor.
O médico lhes perguntou se desejariam ficar alguns instantes com a criança. Meus amigos ficaram de pé e caminharam resignadamente até a porta. Ao me ver ali, aquela mãe me abraçou e começou a chorar. Também meu amigo se refugiou em meus braços e me disse: Muito Obrigado por estar aqui !
Durante o resto da manhã fiquei sentado na sala de emergências do hospital, vendo meu amigo e sua esposa segurar nos braços seu bebê, despedindo-se dele. Isso foi o mais importante que já fiz na minha vida.
Aquela experiência me deixou três lições:
Primeira: o mais importante que fiz na vida, ocorreu quando não havia absolutamente nada, nada que eu pudesse fazer. Nada daquilo que aprendi na universidade, nem nos anos em que exercia a minha profissão, nem todo o racional que utilizei para analisar a situação e decidir o que eu deveria fazer, me serviu naquelas circunstâncias: duas pessoas receberam uma desgraça e nada eu poderia fazer para remediar. A única coisa que poderia fazer era esperar e acompanhá-los. Isto era o principal.
Segunda: estou convencido que o mais importante que já fiz na minha vida esteve a ponto de não ocorrer, devido às coisas que aprendi na universidade, aos conceitos do racional que aplicava na minha vida pessoal assim como fazia na profissional. Ao aprender a pensar, quase me esqueci de sentir. Hoje, não tenho dúvida alguma de que deveria ter subido naquele carro sem vacilar e acompanhado meu amigo ao hospital.
Terceira: Aprendi que a vida pode mudar em um instante. Intelectualmente todos nós sabemos disso, mas acreditamos que os infortúnios acontecem com os outros. Assim fazemos nossos planos e imaginamos nosso futuro como algo tão real como se não houvesse espaços para outras ocorrências. Mas ao acordarmos de manhã, esquecemos que perder o emprego, sofrer uma doença, ou cruzar com um motorista embriagado e outras mil coisas, podem alterar este futuro num piscar de olhos.
Para alguns é necessário viver uma tragédia para recolocar as coisas em perspectiva. Desde aquele dia busquei um equilíbrio entre o trabalho e a minha vida. Aprendi que nenhum emprego, por mais gratificante que seja, compensa perder férias, romper um casamento ou passar um dia festivo longe da família.
E aprendi que o mais importante da vida não é ganhar dinheiro, nem ascender socialmente, nem receber honras. O mais importante da vida é ter tempo para cultivar uma amizade.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

HISTÓRIA DOS VIAJANTES Por Dr Edward Bach - 1934















Era uma vez, é sempre era uma vez, dezesseis viajantes que saíram para uma excursão através de uma floresta. A princípio, todos iam bem; porém, depois de terem caminhado durante algum tempo, um dos integrantes do grupo, de nome AGRIMONY, começou a se preocupar quanto a estarem eles no caminho certo ou não. Depois, já de tarde, tendo mergulhado ainda mais na escuridão, MIMULUS começou a ter medo de que tivessem perdido a trilha. Quando o sol se pôs e as sombras aumentaram e os ruídos noturnos da floresta começavam a fazer-se ouvir, ROCK ROSE ficou apavorado e em estado de pânico. No meio da noite, quando tudo eram trevas, GORSE perdeu toda esperança e disse:
"- Não seguirei além daqui; continuem vocês; ficarei aqui do modo como estou até que a morte alivie meus sofrimentos."

OAK, por outro lado, embora sentindo que todos estavam perdidos e que nunca veriam novamente a luz do sol, disse: "- Continuarei lutando até o fim", e o fez de modo corajoso.
SCLERANTHUS tinha alguma esperança, mas às vezes sofria de incerteza e de indecisão, esperando primeiro seguir uma trilha e quase ao mesmo tempo, outra. CLEMATIS continuava a caminhar com dificuldade, quieta e pacientemente, mas - oh! - bem pouco preocupado no que diz respeito a dar ou não ali o último suspiro ou sair da floresta.
GENTIAN algumas vezes animava bastante o grupo, porém outras vezes caía num estado de desânimo e depressão. Outros excursionistas nunca tinham medo, a não ser de que seus companheiros desistissem da excursão e, a seu modo, queriam muito ajudá-los.
HEATHER tinha muita certeza de conhecer o caminho e queria que todos os companheiros a seguissem. CHICORY não se preocupava com o fim da excursão, porém demonstrava muita preocupação no que diz respeito a estarem ou não seus companheiros com dor nos pés, cansados ou com suprimentos suficientes para se alimentar. CERATO não tinha confiança em suas opiniões e queria tentar todos os caminhos para se certificar de que o grupo não estava errado, e o pequeno e dócil CENTAURY queria tanto tornar mais leve o fardo dos outros que estava pronto para carregar os apetrechos de todos. Infelizmente, para o pequeno CENTAURY, ele carregava o fardo dos mais aptos a fazê-lo pois eles eram considerados os mais fortes.
ROCK WATER, todo ansioso para ajudar, desapontava um pouco o grupo porque criticava o que eles estavam fazendo de errado e, no entanto, ROCK WATER sabia o caminho. VERVAIN também devia conhecer suficientemente o caminho mas, embora estivesse um pouco confuso, fazia um discurso detalhado sobre qual seria a única trilha que os levaria para fora da floresta. IMPATIENS, outrossim, conhecia bem o caminho de casa, tão bem que estava impaciente com os que eram menos rápidos que ele. WATER VIOLET percorrera anteriormente aquele caminho e sabia a trilha certa, no entanto, era um pouco orgulhoso e arrogante, o que os outros não entendiam. WATER VIOLET julgava-os um tanto inferiores.
Ao cabo, todos foram ao fim da floresta. Agora, eles atuam como guias para os outros excursionistas que não fizeram a excursão antes e, devido ao fato de saberem que há um caminho que leva até o final e devido ao fato de saberem que a escuridão da floresta não é outra coisa do que as sombras da noite, eles andam como "cavalheiros indômitos", e cada um dos dezesseis excursionistas ensina, a seu próprio modo, a lição, dando o exemplo:
AGRIMONY dá largas passadas sem nenhuma preocupação e faz troça de tudo. MIMULUS não sabe o que é medo; ROCK ROSE, nos momentos mais difíceis, é a própria imagem da calma, da coragem serena; GORSE, na noite mais negra, fala-lhes acerca das etapas que serão vencidas quando o sol surgir pela manhã.
OAK mantém-se imperturbável durante o mais forte vendaval; SCLERANTHUS caminha com inabalável convicção; os olhos de CLEMATIS estão postos com alegria no fim da viagem; nenhuma dificuldade, nenhum contratempo podem desanimar GENTIAN.
HEATHER aprendeu que cada viajante deve seguir o próprio caminho e, silenciosamente, vai à frente, a passadas largas para mostrar que isso pode ser feito. CHICORY sempre esperando ajudar, porém apenas quando solicitado, continua tranquilo. CERATO conhece muito bem as pequenas trilhas que não levam a parte alguma e CENTAURY sempre busca as pessoas que são mais fracas, que julgam pesado o fardo que carregam. ROCK WATER não sabe mais incriminar ninguém, passa o tempo todo encorajando os demais. VERVAIN não prega mais coisa alguma porém, silenciosamente, aponta o caminho. IMPATIENS não sabe mais o que é pressa, mas se atrasa entre os retardatários para manter o passo. WATER VIOLET, mais como um anjo do que como um homem, passa em meio ao grupo como um sopro de vento ou como um raio glorioso de sol, abençoando a todos."

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O QUE SIGNIFICA SER PLENO, E TER PLENITUDE?

























Estamos no universo para passar por  situações constantes, onde estamos ensinando e aprendendo, e chegarmos ao patamar de virtudes . O planeta é uma grande escola, viajando a milhares de quilômetros, onde não se tem férias, nem recreio, pois o aprendizado acontece em tempo integral.

Por ventura, as pessoas tem percebido que o tempo está passando cada vez mais rápido? Dias, meses, anos. Enfim mais um motivo para desfrutarmos o máximo de nosso tempo presente.


Nós gastamos muita energia física e mental, ocupando nossas mentes com acontecimentos passados e utopias futuras e acabamos rejeitando o nosso presente o qual o futuro será a consequência de nossas escolhas no aqui e agora, já que o futuro reside na esfera do empírico, fantasias e suposições, posto que ele ainda será escrito por nós mediante nossos atos, atitudes e pensamentos.

Pensar e agir no passado só nos traz angústia e sofrimento. Acabamos sempre julgando tudo e à todos pelo passado que já não existe mais, nos esquecendo que existe o agora, resultando o presente.

Se desprender do passado e não se arrepender de nada que tenhamos feito, pois o jeito somos hoje, é a soma de todas as nossas escolhas passadas. Nos cabe aceitar este fato, e seguirmos em frente. 
  
Acredito firmemente que a nossa vida é tocada de eternidade. Temos todos na nossa história pessoal aqueles momentos que resumem anos de procura e conhecimento. Em que podemos dizer que foi o dia em que nos tornamos uma outra pessoa, ou que mudou nossas vidas. Também os momentos que marcam definitivamente pela negativa, que impuseram rupturas e decisões dolorosas. Em tudo isto, há uma dimensão de qualquer coisa de definitivo que pode ser tão libertador, iluminador ou tão destruidor.

Por isso temos sempre atrás e à nossa frente um caminho complexo. Que procuramos que seja pleno, que aja plenitude em que tudo seja linear e óbvio.  E descobrimos que o que não abunda são as respostas fáceis.

Uma vida plena, não é uma vida cheia. Aliás as nossas agendas super preenchidas falam-nos mais de vento do que de mar. A plenitude está em pôr uma cor dentro dos nossos espaços vazios, ou cinzentos. Que ainda por cima são espaços que nem sabemos como os preencher. Talvez seja este o desafio e a surpresa: De deixar que sejam pintados por outro que sabe muito mais de nós e da nossa ida que nós próprios. E confiança assim gratuita não é fácil, porque teimamos sempre em ser donos de nós mesmos. Porem, isso é uma utopia. Se vivemos em família, em sociedade, como sermos donos de nós mesmos, já que sentimos e fazemos sentir nos outros os efeitos de nossos atos e pensamentos?

Se somos donos de nós, porque então nos melindramos, nos iramos, nos entristecemos quando algo ou alguém não faz o que queiramos que seja feito, e vice e versa? Confundimos independência com autonomia. Autonomia todos podem ter e isso é até relativamente fácil de se obter. Mas independência não. Todos nós dependemos de alguém. Dependemos de um homem e uma mulher para nascermos. Dependemos de um professor para aprendermos a ler e escrever. dependemos de uma faculdade para termos maiores conhecimentos e termos melhores chances. E veja bem: Até para escrever no facebook, dependemos de alguém que inventou o computador, o teclado, a telinha, e etc.

A plenitude da vida, cada 24 horas de um dia, deveria equivaler por uma vida inteira sendo plena.  É quando as pessoas mais sensíveis param e se permitem curtir o espetáculo do pôr do sol, percebendo, mesmo sem entender, que há algo muito maior e mais importante do que a busca frenética e mesquinha pelo dinheiro, pela fama e pelo poder, a qual está empenhado o mundo.

O mais importante, é perceber os valores pessoais, as experiências que se adquiriu ao longo da vida e elaborar um "plano de ação" . De qualquer forma, é necessário que haja incentivos e ações suficientemente poderosos para superar a auto crítica depreciativa e sobrepujar as forças retardadoras para o desfrute de uma maturidade e velhice feliz. A par dessas possibilidades, conseguir aceitar a si mesmo em suas condições já constitui, por si só, um feito extraordinário. O alívio gerado pela libertação dessas amarras, melhorará a qualidade dos relacionamentos com os outros e consigo mesmo, tornando-o mais forte emocionalmente. E quanto mais emocionalmente forte estivermos, menos nos  sentiremos ameaçado por s outras pessoas ou pelas circunstâncias. Daí para o "produzir" é um pulo, afastando o tédio, a tendência ao vício e a tristeza.

Quanto ao amor, mais vale um amigo por perto do que um parente longe. Aprenda a valorizar as pessoas que se importam com você e estão dedicando um partilhamento mesmo que momentâneos suas vidas, ao seu conforto e bem estar ao invés de gastar um tempo tão precioso com aquelas pessoas que não estão nem aí para você.

Em qualquer fase de uma vida plena,  a capacidade de se adaptar ao novo é essencial para gozar o prazer em viver, e ter plenitude na vida,  quer seja (re)aprendendo com o mais novo ou com o mais velho, quer seja ensinando ao mais novo ou ao mais velho. Assim, muitos são os motivos pelos quais é possível que a vida, seja um período prazeroso, produtivo e emocionante. Seja qual for sua idade, se você se julga velho ou novo, traga à memória somente aquilo que lhe pode dar esperança. A vida nesse planeta é tão curta que não vale a pena remoer nada, mas sim deixar o coração agir e pulsar no ritmo do amor universal, já que fazemos parte de um todo!

Curta intensamente cada momento do dia, pois afinal, como bem disse, aos 86 anos, o poeta e escritor alemão Goethe:

"Na plenitude da felicidade, cada dia é uma vida inteira".


Manoel João


sexta-feira, 10 de abril de 2015

O MITO DE DEMETER E OS RITUAIS DE PASSAGEM

Perséfone, filha de Deméter, crescia tranqüila e feliz entre as ninfas e em companhia de Ártemis e Atená, quando um dia seu tio Hades, que a desejava, a raptou com o auxílio de Zeus seu pai. Perséfone colhia flores e Zeus, para atraí-la, colocou um lírio às bordas de um abismo. Ao aproximar-se da flor, a terra se abriu e Plutão apareceu e a conduziu para o mundo tectônico (inferno).










No momento em que estava sendo arrastada para o abismo, Perséfone da um grito agudo e Deméter corre, mas não conseguiu vê-la, e nem tampouco perceber o que havia acontecido. Simplesmente a filha desapareceu. Desde então começou para a Deméter a dolorosa tarefa de procurar a filha, levando-a a percorrer o mundo inteiro, com um archote aceso em cada uma das mãos. Durante nove dias e nove noites, sem comer, sem beber, sem se banhar, a deusa errou pelo mundo. No décimo dia encontrou Hecate (deusa da magia), que também ouvira o grito e viu que a jovem estava sendo arrastada para algum lugar. Mas não lhe foi possível reconhecer o raptor, cuja cabeça estava encoberta com as sombras da noite. Somente Apolo (deus do sol), que tudo vê, cientificou-a da verdade. Irritada e furiosa com Plutão e Zeus, decidiu não mais retornar ao Olimpo, mas permanecer na Terra, abdicando de suas funções divinas, até que lhe devolvessem a filha.

E então, sob o aspecto de uma velha, dirigiu-se aos Elêusis e primeiro sentou-se sobre uma pedra, que passou, desde então, a chamar-se "pedra sem alegria". Interrogada pelas filhas do rei local, Céleo, declarou chamar-se Doso e que escapara, das mãos de piratas que a levaram, à força, da ilha de Creta. Convidada para cuidar de Demofonte, filho recém nascido da rainha Metanira, a deusa aceita a incumbência. Ao penetrar no palácio, todavia, sentou-se num banco e, durante longo tempo, permaneceu em silêncio, com o rosto coberto por um véu, até que uma criada a fez rir, com suas piadas maliciosas e gestos obscenos. Deméter não aceitou o vinho que Metanira lhe ofereceu, mas pediu que lhe preparassem o cíceon, que significa "mistura, perturbação, agitação". Era uma bebida mágica. Encarregada de cuidar do caçula Demofonte, que significa, "o que brilha entre o povo", a deusa não lhe dava leite, mas sim, o ciceon, e após esfregá-lo com ambrosia, o escondia, durante a noite no fogo como se fosse um tição.

A cada dia o menino se tornava mais belo e parecido com um deus. Deméter realmente desejava torná-lo imortal e eternamente jovem. Uma noite, porém, Metanira descobriu o filho entre as chamas e começou a gritar desesperada. A deusa interrompeu o grande rito iniciático e exclamou cheia de fúria:
 
ʺHomens mortais, ignorantes, insensatos e estúpidos que não sabeis discernir o que há de bom ou de mal em vosso destino. Eis que tua loucura te levou a mais grave das faltas! Juro pela água implacável do Estige, pela qual juram também os deuses que eu teria feito de teu filho um ser eternamente jovem e isento da morte, outorgando-lhe um privilégio imorredouro. Mas, por causa da vossa estupidez, a partir de agora ele não poderá escapar do destino da morte e se apresentar ao reino das sombras na barca de Caronte pelas mãos de Thanatos (deus da morte). Surgindo na sua forma de deusa e em todo seu esplendor com uma luz ofuscante que saia do seu corpo, ordenou antes de deixar o palácio, que lhe erguessem um grande templo, e um altar onde ela, pessoalmente, ensinaria seus ritos aos seres humanos. Encarregou, em seguida. Triptóleno, irmão mais velho de Demofonte, de difundir pelo mundo inteiro a cultura do trigo.

Construído o santuário, Deméter recolheu-se ao seu interior, consumida pela saudade de Perséfone. Então, uma seca terrível provocada pela fúria de Deméter se abateu sobre a Terra. Em vão Zeus lhe mandou mensageiros, pedindo que regressasse ao Olimpo. A deusa respondeu com firmeza que não voltaria ao convívio dos imortais e nem tampouco permitiria que a vegetação crescesse, enquanto não lhe entregassem a filha. Como a ordem do mundo estava em perigo, Zeus pediu a Plutão que devolvesse Perséfone.



O rei dos infernos curvou-se à vontade soberana do irmão, mas, habilmente, fez com que a esposa Perséfone colocasse na boca uma semente de romã. Obrigou-a engolir, e assim a impedia de deixar a outra vida. Finalmente, chegou-se a um consenso: Perséfone passaria quatro meses com o esposo e oito com a mãe.









Reencontrando a filha, Deméter radiante de felicidade, retornou ao Olimpo e a Terra cobriu-se, instantaneamente, de verde. Antes de seu regresso, porém, a grande deusa ensinou todos os seus mistérios ao rei Céleo, a seu filho Triptóleno, a Déocles e a Eumolpo ensinou os mais belos ritos, os ritos augustos (divinos) que são impossíveis de transgredir, penetrar ou divulgar, ou seja: o respeito pela deusa (o sagrado feminino), que de tão forte, embarga a voz.






Interpretação

Vemos pelo mito acima, que são muitos os momentos e passagens que a mulher passa em sua vida. Podemos considerar como principais as seguintes: nascimento, menstruação, casamento, gravidez, parto, menopausa e morte. Se fizermos uma retrospectiva aos assuntos estudados será fácil constatar que dentre eles a menopausa esta entre os mais importantes. O que não significa que os outros sejam menos importantes. 

O termo menopausa deriva do grego mens = mês e pausis = parada, ou seja, significa o fim dos fluxos menstruais ou a última menstruação, devido à perda da atividade folicular ovariana. A menopausa costuma ocorrer entre 35 e 59 anos, dizendo-se prematura quando se instala antes dos 40 anos, e tardia após os 52 anos. No discurso das mulheres percebemos que a maioria delas considera a menopausa como a parada da menstruação ou fim da fertilidade, o que chama atenção uma vez que se costuma considerar que a própria feminilidade da mulher é significada pela via da maternidade. O material referente à menopausa se refere a ela como uma carência, ou um sintoma de envelhecimento. É verdade que, na literatura junguiana, muito já foi explorado no que se refere ao processo de individuação e a segunda metade da vida. Além disso, é impressionante como há, na mitologia, mitos que fazem referências a situações de passagem que o ser humano atravessa, tais como os citados anteriormente. Entretanto, é mais impressionante percebermos que são mínimas as referências a uma situação que toda mulher que vive até cerca dos 50 anos precisa enfrentar. Dentre os mitos, procuramos aqui imaginar como o mito de Deméter e Perséfone, deusas gregas, pode ser utilizado para ilustrar o ritual de passagem ao qual é submetida à mulher quando sua menstruação começa a faltar e como ela se relaciona com a psique e o corpo nesta fase. 

No mito, é nítida a referência feita às fases da vida, menina/moça/idosa, e de seus personagens. Pensando em Deméter e Perséfone como componentes simbólicos da mesma personalidade, e na simbologia da menopausa como aquela que leva a mulher jovem e deixa à idosa, podemos imaginar o rapto de Plutão como a menopausa, ou seja, aquele que leva a jovem da vida da mulher adulta e deixa à “velha” (muitas mulheres afirmam que com a menopausa passaram a se sentir velhas), pois quando se vai à menstruação e leva com ela a juventude, fica a maturidade, “a velhice”. Essa separação, demonstrada de forma dramática no mito, parece ser de grande importância para mostrar os conflitos que a mulher enfrenta, para viver toda e qualquer nova fase. 

Se olharmos com atenção para os conflitos enfrentados pela deusa, como as mudanças corporais, vivências estranhas, tristeza, solidão, labilidade de humor, podemos perceber que eles podem ser associados com facilidade às vivências por que passa uma mulher na menopausa. Como resultado de tantas mudanças e limitações está à ira, já que a "jovem" dela foi levada. A mulher passa por um momento de solidão, recolhimento e isolamento, já que não tem como expressar aos outro o que se passa com ela. A vivência da morte e esterilidade se relacionam com o fim da fertilidade que assola a terra. Como Deméter, é como se a mulher que entra na menopausa se sentasse na "Pedra sem Alegria".

No mito, a deusa não desiste de sua busca, a "velha" acredita que conseguirá resgatar a "jovem" do Inferno. O mesmo me parece que acontece com a mulher depois que entra na menopausa. É impressionante hoje percebermos como as mulheres estão cada vez mais jovens esteticamente, além do fato comprovado de que elas têm vivido muito mais. O cuidado com Demofonte e a tentativa de torná-lo imortal podem ser associados ao desejo da mulher menopausada de ser eternamente jovem. Mas será que, pensando no que vinha sendo discutido anteriormente, Demofonte não poderia também ser associado aos sentimentos e emoções dessa mulher, antes primitivo e infantil, e que agora, com a ida da jovem para o Hades, é cuidado, tratado e crescendo forte e robusto?

O retorno de Perséfone, comprometida a passar 1/3 do ano nas profundezas pode ser facilmente relacionado ao fato de que é através de sua juventude que, diferente do que a mulher pensa não se perde para sempre com a menopausa, mas sim, é que ela estará comprometida com o profundo, mostrando a necessidade e possibilidade do reencontro e da união da jovem e da velha.

Analisado como o mito em si pode se relacionar à menopausa, podemos considerar qual a importância do arquétipo de Deméter para a mulher, e como o mesmo influencia a mulher que chegou ao fim de sua vida fértil.

Deméter é conhecida como a deusa mãe, da fertilidade e provedora de alimento espiritual, sendo considerada a que nutre, a mais protetora de todas as deusas. Mesmo que não possamos afirmar que este é o arquétipo dominante em todas as mulheres, acredito que no momento em que uma mulher considera sobre ter um filho, ela está cultivando e convidando o arquétipo materno, de Deméter, a se tornar mais ativo. Acredito que possamos afirmar sim, que a grande maioria das mulheres (senão todas), em algum momento de sua vida considera ou ao menos pensa sobre ter um filho. Se neste momento, o arquétipo materno está se tornando um pouco mais ativo, poderíamos então afirmar que, pelos menos em alguns momentos durante sua existência, toda mulher teria o arquétipo de Deméter dominante?

A partir do mito, podemos perceber que quando o arquétipo não pode ser realizado, a mulher tipo Deméter pode mergulhar em uma depressão, uma vez que sua vida passa a ser afetada pela falta de um significado. Se pensarmos na menopausa como uma impossibilidade, agora definitiva, de realizar novamente o arquétipo, principalmente se pensarmos que ela costuma vir com a saída dos filhos de casa para viverem as suas próprias vidas, poderíamos pensar também na mesma como uma ativação, em diferentes graus, desse arquétipo. Se considerarmos, além disso, que de acordo com as pesquisas, depressão, tristeza e angústia são sintomas comum da menopausa, não poderíamos associar esses sentimentos a aqueles sofridos por Deméter quando sua filha(o) cresce e deixa sua casa? Pensando no que foi discutido anteriormente sobre a natureza da vida/morte/vida, não seriam esses sintomas características do enfrentamento da morte de um período, que inclui a possibilidade de ser mãe novamente (ou pela primeira vez)? 


Esses questionamentos são feitos baseados na importância da maternidade para a mulher, além de ser ela a característica mais marcante de Deméter. Entretanto, é necessário ressaltar que este arquétipo não se relaciona apenas ao ser mãe, mas ele representa o instinto maternal desempenhado também na nutrição física, psicológica ou espiritual de qualquer outra pessoa, mesmo que não seja um filho biológico. Assim, podemos imaginar que a impossibilidade de nutrir um filho biológico poderia possibilitar que a mulher passasse a nutrir outras pessoas e, mais importante, a si mesma. Creio ser essa a razão pela qual grande parte das mulheres que entram na menopausa começa a buscar seu próprio desenvolvimento psicológico através de reflexões e questionamentos.